Processo de formação e Princípios
metodológicos
A Direcção Técnica da
EF Fair Play desenvolveu uma metodologia de treino original,
baseada no trabalho de investigação realizado em vários centros
de investigação e desenvolvimento de alto rendimento em futebol,
em Espanha, França e Holanda.
Os pressupostos básicos desta
metodologia foram desenvolver um processo de investigação
de alto nível, tanto teórico como prático, que permitisse
definir o processo de alto rendimento desportivo para futebolistas,
bem como, dirigir e aplicar correctamente o processo de alto
rendimento desportivo a grupos de jogadores seleccionados
com o objectivo de alcançar o máximo nível de cada um deles.
A EF Fair Play adoptou esta
metodologia de treino desde o seu início, sendo a sua aplicação
rigorosa e avaliada constantemente ao longo destes anos, com
resultados extremamente positivos.
A aplicação técnica desta metodologia
é um programa que trata a formação do jovem futebolista como
um autêntico processo formativo. O objectivo principal do
programa é que os jovens dominem as várias etapas de um processo
que contempla diversos elementos:
- um objectivo final
- etapas que o compõe
- objectivos parciais (que oferecem consistência a cada
etapa)
Se colocarmos como exemplo
o ensino da matemática verificamos que estes aspectos estão
perfeitamente definidos:
- Objectivo final
Dotar o aluno do conhecimento
e domínio de todos os elementos que lhe permitam aceder
ao mundo profissional da sua especialidade.
- Etapas de Ensino
Pré-Primária (3 - 5 anos)
Primeiro Ciclo (6 – 10 anos)
Segundo e Terceiro Ciclo (11 – 14 anos)
Ensino Secundário (15 – 18 anos)
Ensino Universitário (mais de 18 anos)
- Objectivos parciais
Pré-Primária:
Aprendizagem do valor e significado dos números e domínio
da sua expressão gráfica.
Primeiro Ciclo: domínio das operações simples
(soma, subtracção, multiplicação e divisão)
Segundo e Terceiro Ciclo: domínio das operações
de dificuldade superior (equações simples, raiz quadrada,
etc.)
Ensino Secundário: domínio de operações
complexas (equações do 3º grau, derivadas, etc.)
Ensino universitário: domínio dos conhecimentos
matemáticos aplicados que lhe permitam desenvolver a sua
especialidade no campo profissional.
No que concerne ao futebol, poderemos ter:
Escolas de futebol (6 aos 10 anos): Criar e estabilizar
padrões motores, necessidade de actividade polidesportiva;
desenvolver a habilidade, coordenação, e equilíbrio.
Infantis e Iniciados (11 aos 14 anos):
Conhecer e desenvolver as acções e situações básicas do
futebol; actualizar todas as acções técnicas, de táctica
individual e acções individuais de táctica colectiva de
uma forma geral.
Juvenis (15 aos 16 anos): Aperfeiçoar as acções
técnicas, tácticas e as capacidades físicas. Optimizar o
jogo de relação entre linhas, de melhoramento de acções
técnicas aplicadas ao sistema de jogo; e desenvolver todas
as acções tácticas segundo linha de jogo.
Juniores (17 aos 18 anos): Eliminar a realização
de acções deficientes que o jogador apresenta, potenciar
as acções com as quais obtém o alto rendimento.
Seniores (mais de 18 anos): Domínio de
todas as situações que existem no futebol de 11 ao máximo
nível, o que lhe vai permitir desenvolver a sua especialidade
no campo profissional.
Desta forma observamos que
assumir os conceitos de uma etapa depende, em grande parte,
do nível alcançado na etapa anterior. Assim, a progressão
e o conhecimento destes objectivos parciais conduzem-nos à
concretização do objectivo final, que é o que determina o
êxito ou fracasso de qualquer processo de ensino.
Para considerar o ensino do
futebol como um processo de formativo deve ocorrer algo semelhante,
o objectivo final terá de ser o domínio de todas as situações
que implica o futebol 11 ao seu máximo nível, devendo parcializar-se
em etapas, com objectivos próprios, que desenvolvam os aspectos
táctico-técnicos e físicos de forma progressiva.
Tradicionalmente existe um
confronto teórico em eleger o método analítico ou o método
global como fundamento para o ensino do futebol. No quadro
seguinte expõe-se as características que os diferenciam.
| |
Método
analítico |
Método
global |
| Características |
Apresenta uma situação
do jogo isolando-a do mesmo, de forma que só tem em
conta um dos elementos que intervêm na competição (a
bola) |
Apresenta uma situação
do jogo na qual intervêm todos os seus elementos (bola,
companheiros e adversários). |
| Vantagens |
- Pode incidir-se na melhoria de
objectivos muito concretos. |
- Trabalham-se simultaneamente aspectos
técnicos, tácticos, físicos e inclusivamente psicológicos.
- Ao incluir todos os elementos do jogo, o melhoramento
obtido no treino, reflecte-se rapidamente na competição. |
| Inconvenientes |
- Um exercício analítico só incide
numa das múltiplas possibilidades que podem manifestar-se
durante uma acção, seja técnica, táctica ou física.
- As melhoras obtidas não se manifestam na sua totalidade,
já que na competição vêm-se condicionadas pela presença
de companheiros e adversários, que não faziam parte
do treino. |
|
| Motivação |
Nível muito baixo em relação ao
método global. |
Elevadíssimo nível de motivação
que leva a criança a envolver-se na actividade de
forma total e plena.
|
| Grau
de incidência dos distintos mecanismos que participam
no movimento |
M. Percepção (*) Mínimo, uma vez
que se apresentam situações estáveis que não solicitam
com grande intensidade este mecanismo. |
M. Percepção (***) Máximo, já que
as situações e as acções que se vão apresentar são
imprevisíveis. Então, é necessário perceber correctamente
e rapidamente as contínuas variações produzidas pela
bola, os companheiros e os adversários. |
| M. Decisão (-) Nulo, já que tudo o
que deve realizar o jogador, está previsto e conhecido
por ele, antes de realizar a acção. |
M. Decisão (***) Máximo, pois cada
vez que se recebem estímulos que modificam as situações
de jogo, torna-se necessário realizar uma análise da
mesma e decidir como se vai tentar resolvê-la. |
M. Execução (***) Máximo, sempre
que se fizer um elevado numero de repetições.
|
M. Execução (**) Médio, já que dadas
as características deste método, realizam-se mais
acções do que as que são propriamente o objectivo
do jogo, então este mecanismo é utilizado de forma
mais dispersa que no método analítico. |
Considerando a realidade do
futebol de formação, em que habitualmente dispomos de pouco
tempo para trabalhar semanalmente, o método global apresenta,
além de outras vantagens de carácter científico, um elemento
favorável de ordem
Prático.
Ao realizar, por exemplo, um
exercício analítico do passe estaremos a incidir somente num
tipo de passe específico, com uma superfície de contacto concreta,
uma orientação da bola definida e também, com uma trajectória
pré-estabelecida. Desta forma, para dominar o conceito do
passe ficaria por trabalhar todas as restantes superfícies,
com todas as possíveis variantes que correspondem a cada uma.
Supondo que se colocava na
prática todo este trabalho, ainda restaria trabalhar os outros
conceitos técnicos (control, remate, jogo de cabeça, drible,
etc.), os conceitos tácticos (apoio, marcação, desmarcação,
etc.) com todas as suas possíveis variantes. Igualmente, aconteceria
com as qualidades físicas.
É evidente a impossibilidade
de abranger toda esta quantidade de trabalho, conseguindo
um alto nível de execução.
Pelo contrário, com o método
global incide-se simultaneamente nos aspectos tácticos, técnicos,
físicos e psicológicos, o que permite, durante um jogo, trabalha-los
de forma conjunta, ainda que de uma forma mais genérica.
Tradicionalmente, a aprendizagem
de um gesto coordenativo ou um comportamento táctico (trabalho
analítico) era condição prévia para começar a jogar. No entanto,
o ensino moderno parte do jogo (método global) como um elemento
fundamental de aprendizagem, considerando o método analítico
como um complemento que permite completar o processo de formação.